quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TETE - PERGUNTAS MAIS FREQUENTES

Olá, O meu nome é Luisa, sou portuguesa, moro na Líbia e recentemente falaram na possibilidade de ir viver e trabalhar em Tete. Vi o seu blog na internet e gostaria de saber se há internet fácil em Tete, se há médicos aí, se é fácil comprar comida de confiança e se a malária é uma realidade. Pergunto também qual é a maior dificuldade da vida em tete para voce? Conhece alguém que trabalhe aí na Empresa Odebrecht? essa é a empresa em que eu trabalho aqui na Líbia. Tem aeroporto aí em Tete ou só em Maputo? A minha mae nasceu em Moçambique e tenho alguma curiosidade. Achei o seu blog muito interessante. Sem mais despeço-me por agora. Luisa

Esta foi a mensagem deixada neste blog pela colega Luisa. Desde que mudamos aqui as pessoas fazem muitas perguntas sobre Tete então, vou aproveitar a 'deixa' e fazer um ...

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE TETE:

1) Há aeroporto em Tete?

Sim, há um aeroporto que foi totalmente reformado e atende 'bem' (entre aspas) as necessidades dos passageiros. A propósito, para chegar ou sair de Tete é interessante que você embale suas malas, pois há um costume aqui das pessoas enviarem peixes e cabritos a seus familiares. Por exemplo, eles literalmente matam o animal, cortam em pedaços, colocam em uma caixa de papelão, ‘embrulham’ em sacos de mercado e despacham. Você não vai gostar da experiência de ter sua mala perto de destes ‘pacotes’ mal-cheirosos.

2) Há hospitais em Tete?

Sim, mas você não vai querer, de maneira nenhuma, entrar em algum deles. Se vier a Tete para trabalhar, com certeza sua empresa oferecerá uma clínica só para os funcionários com médicos locais e do exterior. Sobre as doenças mais comuns, creio que nós, estrangeiros que já fomos vacinados em nossos países, tenhamos que nos preocupar mais com a Malária. A solução, neste caso, é usar repelente regularmente.

3) Onde comprar alimentos em Tete?

Ainda não há supermercados, mas os mercadinhos atendem razoavelmente a demanda. Para manter o padrão dos alimentos que comemos no Brasil, gasta-se muito. Os comerciantes sabem que do que sentimos falta e também sabem cobrar por isto. Geralmente, trazemos algumas compras de Maputo (capital) quando temos oportunidade.


4) Há escolas particulares em Tete?

Sim, posso mencionar 3 delas. A primeira é uma escola internacional na Leaf Tabaco Company onde meu filho estuda. É uma ótima escola, mas creio que atualmente só aceitam agora crianças que tenham o inglês fluente. A segunda é também uma escola internacional recém-instalada no bairro de Matema da qual não tenho muitas informações. A terceira é o Colégio Mundial com grande número de alunos moçambicanos, indianos e alguns brasileiros.

5) Quais seriam os benefícios que deveria exigir antes de aceitar ser expatriado para Tete?

Primeiramente moradia com ar condicionado, o item que julgo mais importante. Diria mesmo para não aceitar qualquer proposta na qual a moradia não esteja incluída. A presença das grandes empresas de mineração fez com que o valor dos aluguéis ficasse absurdamente impraticável. Além disto, eu colocaria locomoção (pra que você não fique isolado do resto da cidade), eletricidade (o custo é muito alto), gerador de energia na habitação (em Tete é igual aquela música... De dia falta água, de noite falta luz) e como já mencionei um atendimento clínico e hospitalar da própria empresa.


6) E a violência?

Bom, na semana passada eu diria que a cidade é pacata e aceita bem a presença de estrangeiros. Mas como minha casa foi assaltada enquanto dormíamos dentre dela, tenho que rever este meu posicionamento. Hoje vejo que a sensação de paz é ilusória. O povo moçambicano é mesmo um povo pacato, mas eles provêem de um histórico de guerra e combate, portanto, em momentos de crise, eles têm a tendência de pegar um pedaço de pau, se juntar em centenas e ir ‘resolver’ o problema. Antes do roubo, eu era mais aberta, agora não estou dando sorrisos com tanta naturalidade. Aprendi a desconfiar de tudo e de todos e que é melhor ser temida do que ser simpática.

7) E o calor?

Em algumas épocas do ano... suportável, em outras ... insuportável (ontem mesmo o termômetro do carro marcava 45.C). Não, eu não estou brincando!!!!!!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

INHACA, A ILHA QUE NÃO É UMA INHACA!!!

Próximo a capital de Moçambique, Maputo, está localizada a Ilha de Inhaca. Estivemos passeando por lá no último feriado e apesar do nome sugerir que seja uma 'inhaca', a verdade é que a ilha é um ótimo lugar para visitar e relaxar. Pegamos um aviãozinho teco-teco com nossa pilota sul-africana no aeroporto de Maputo e, 15 minutos depois, estavámos pousando suavemente na ilha.

Ficamos no PESTANA INHACA LODGE (aprovado, apesar que a  comida poderia ser melhor). Não há muita coisa pra fazer além de aproveitar a piscina e, para os mais animados, sair para os passeios de snorkel e mergulho com cilindro em determinados pontos da ilha. Legal mesmo foi absorver o sol não se pôr no cais da ilha ... exatamente, o sol não se pôs, ele foi 'apagando', ficando clarinho no céu até sumir ... penso que deveria ter prestado mais atenção nas aulas de geografia para entender o fenômeno.

Gostei mesmo foi de pegar uma lancha por 5 minutos e desembarcar na pequena Ilha dos Portugueses, um local totalmente deserto considerado reserva natural. Não tem barraca, música de axé, tia da empada, tio vendendo camiseta ... é puro silêncio, só quebrado pelo leve barunho do mar (sem onda ... odoro praia sem onda!!!!!). Desembarcamos eu, meu filho e marido e mais um casal de velhinhos, 5 pessoas em uma ilha inteira .... claro que levamos nosso coller com sanduíches e refrigerantes, afinal, também não era para parecer um episódio de LOST.

O litoral moçambicano é realmente fantástico. Pode-se dizer que deveria ser mais explorado, mas não ... é maravilhoso exatamente porque é natural e conta com pouca estrutura turística. Neste caso, certamente, menos é mais.



Pestana Inhaca Lodge

Pôr (quase) do sol no cais de Inhaca 


Ilha dos Portugueses
 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

REPERCUSSÕES DOS ATOS DE 1 E 2 DE SETEMBRO

NOTÍCIA - Usuários de cartões do Pré-pago devem registar-se até ao dia 15 de novembro


Usuários de telefonia móvel em Moçambique deverão registar os seus cartões de celular junto as Operadoras até no máximo dia 15 de Novembro próximo.
A decisão, segundo o Ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, visa essencialmente responder à necessidade de se apurar responsabilidades em actos criminosos com recurso ao celular.
De carácter obrigatório, o registo de cartões de telemóvel abrange somente usuários da tarifa pré-pago, ficando sob pena de bloqueio todos os cartões que até ao dia 15 de Novembro não se encontrarem cadastrados nas operadoras de origem.
Anunciado em diploma ministerial 153/2010 de 15 de Setembro, o mecanismo pretende ser uma ferramenta para ajudar nas investigações de actos criminais.
Além de acautelar o uso responsável do celular, o decreto proíbe ainda a venda de cartões celular a menores de catorze anos e cada cidadão vai poder ser titular de no máximo três cartões em cada operadora.
Em declarações à Televisão de Moçambique, Paulo Zucula afirmou que a medida surge como forma de responsabilizar o cidadão a usar de forma correcta um serviço tão importante como o são as comunicações telefónicas.
Zucula apontou como alguns dos casos criminais ocorridos que agora se pretende combater, a convocação de cidadãos para aderirem a uma marcha até ao gabinete de trabalho do Presidente da República e o sequestro de pessoas e pedidos de resgate, via SMS.
“Não queremos com isso dizer que não se pode convocar uma reunião ou manifestação; mas não se pode permitir convocar-se gente para ir apedrejar a Ponta Vermelha”, disse o titular dos Transportes e e Comunicações.
O ministro sublinhou que o processo é irreversível, e apelou a todos os cidadãos a dirigirem-se às suas operadoras em tempo útil, munidos dos respectivos bilhetes de identidade e certificados de residência ou outros documentos válidos, onde vão responder a um formulário já disponível.
Recorde-se que dias antes das manifestações violentas ocorridas nos dias 1 e 2 de Setembro contra o custo de vida nas cidades de Maputo e Matola, estas foram convocadas por via de mensagens de celular, por indivíduos até aqui desconhecidos.
Em Moçambique, os cartões de celular das operadoras de telefonia móvel (mCel e Vodacom) podem ser adquiridos por apenas vinte meticais (alguns cêntimos do dólar) em qualquer lugar, inclusivamente na rua e barracas.
Fonte: RM

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ENQUANTO ESTÁVAMOS FORA .... O NEGÓCIO PEGOU FOGO POR AQUI!!!!

Enquanto estávamos fora, as coisas pegaram fogo aqui em Moçambique. Ouvi relatos de brasileiros, li notícias nos jornais e vou tentar resumir os acontecimentos de 01 e 02 de setembro de 2010 em Maputo nas frases abaixo:

Guebuza e sua equipe anunciam 50% de aumento de preços para gêneros de primeira necessidade (luz, pão, entre outros).
Moçambicanos começam a mandar SMS convocando a população para ir às ruas protestar.
População se aglomera próximo ao aeroporto de Maputo, queimando pneus e saqueando lojas em busca de alimentos.
Polícia intervém inicialmente com balas de borracha.
As balas de borracha acabam.
Polícia começa a soltar tiros de verdade para conter a população.

Oficialmente, seriam 13 mortos e 140 feridos, mas o fato é que não há números exatos, dizem que foram muito mais de 13 mortos. Guebuza e sua equipe retrocedem e apresentam novas propostas de subsídios governamentais para evitar aumentos de 50% incluindo corte de benefícios e aumentos de salários dos próprios governantes.

Este episódio demonstra algo que é latente, em meu ponto de vista, em Moçambique .... o DESPREPARO. Governo despreparado para tomar decisões. Povo despreparado para protestar por seus direitos. Polícia despreparada para realizar seu trabalho. Despreparo, despreparo, despreparo. Vivencio este despreparo todos os dias, nas mais pequenas coisas. Não é falta de vontade. Não é preguiça. É despreparo mesmo.

Além disto, concluo que a sensação de estabilidade que eu tinha em Moçambique era falsa. De fato, fui eu mesma quem criou esta farsa. Os governos, as economias, as pessoas são instáveis em qualquer lugar do mundo. Como já relatei neste blog, o genocídio em Ruanda teve início apenas 24 horas após o assassinato do presidente daquele país. Me parece que, quando estamos em nosso país de origem, é mais fácil lidarmos com as instabilidades que possam ocorrer (e que, com certeza, ocorrem) pelo próprio sentimento de pertencimento a uma nação.

De qualquer maneira, quando estamos há tempos em um lugar, acabamos nos sentindo parte dele. Quando cheguei em casa, um rapaz moçambicano que presta serviços aqui no condomínio me saudou dizendo: “Bem vindos a sua segunda casa. Depois de tanto tempo aqui já devem se considerar moçambicanos, não é?” Respondi que sim. Estamos aqui há quase 2 anos, pagamos impostos, fazemos a economia crescer, oferecemos emprego e amparo a alguns membros da sociedade .... Sim. Somos, de certa forma, moçambicanos....

De fato, somos como aqueles primos do interior que vêm fazer faculdade na cidade grande e ficam na casa de uma tia por uns 3 ou 4 anos... no início somos apenas visita, mas com o passar do tempo acabamos nos sentindo mais em casa, dando opiniões na sistemática da família, reclamando da comida e, até mesmo, dando uns amassos na prima.


Links com notícias sobre os acontecimentos de 01 e 02 de setembro:


http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYvgxAAW3ZuNwbC0hjUUhywAVWgKJxRM_cnAO7T-VSt2UH_yzSe2Mj7QFKHLKUrbwFS_8gSeEIf8MPeKvOy8VI9J7g_D7KPxesm85DHMIGM8BzS8W-_QFYA6KxBPlTtEEdaqt8zaIFM42W/s1600/maputo+5.jpg&imgrefurl=http://desigualdadedireitos.blogspot.com/2010/09/motim-nas-ruas-de-maputo-1-de-setembro.html&usg=__Aa68s62xdFUQsLG5FYXVQS8nEFo=&h=435&w=569&sz=77&hl=pt-BR&start=14&zoom=1&itbs=1&tbnid=FF7LhRO3fN2xsM:&tbnh=102&tbnw=134&prev=/images%3Fq%3Dmaputo%2Bsetembro%2Bmanifesta%25C3%25A7%25C3%25B5es%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

VOLTAR PRA CASA !!!!???!!!

Quando voltamos para casa? Quando saímos de Tete rumo ao Brasil OU quando saímos do Brasil rumo a Tete? Difícil responder.

Depois de 6 meses apenas em África, passamos 32 dias no Brasil e, desta vez, as sensações foram diferentes. Saímos menos ansiosos do que das últimas vezes (se é que é possível sermos menos ansiosos em viagens internacionais). Os 32 dias passaram rápido, mas a sensação era que já estávamos ali há 40, 50, 60 dias devido, provavelmente, a agitação da cidade.

Londrina estava muito bonita. Parece que o novo prefeito está fazendo um bom trabalho. A cidade está organizada e já é uma grande metrópole, e, para aqueles que têm orgulho de serem ‘pés vermelhos’ como eu, foi muito bom retornar. A família estava bem, uns casando, outros engravidando, outros se formando. Os amigos pareciam felizes e envolvidos em seus trabalhos (só eu estava de férias!!!!). Novamente muitos prometeram dar um jeito de nos visitar no outro lado do Atlântico.

Como diz o cancioneiro popular: “Cada volta é um recomeço”. Por sorte, toda vinda pra Tete eu acabo na janela do avião. Por mais sorte ainda, sempre do lado certo, aquele no qual o Rio Zambezi começa a aparecer; aquele no qual dá pra ver de longe as savanas se transformando em cidade.

Beijos e abraços das vizinhas queridas (que fizeram bolos de boas vindas), os olhares de satisfação da Dona Rosa e Dona Quinedi (que literalmente refletem o medo da gente nunca mais voltar e deixar elas sem trabalho e sem dinheiro), a expressão de felicidade das crianças da cidade me vendo estacionar o carro próximo a padaria (provavelmente pensando: “Ela voltou ... pão e moedinhas estão garantidos”) são mais do que suficiente para que a gente se sinta em casa.

A primeira coisa que descobri ter sentido falta é do português moçambicano. Não consigo imitar, nem mesmo descrever, mas agora já me acostumei com a fala deste povo e passei a gostar do jeito que eles pronunciam as palavras. Preciso fazer uma gravação e guardar para a posteridade. Entretanto, ao tentar usar o celular, lembrei do que não senti saudade aqui ... a ineficiência da telefonia.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

DONA FÁTIMA E SUA PATROA

Quando uma família estrangeira se muda para Tete, para abrir um negócio ou trabalhar em algumas das empresas multinacionais, trazem para os habitantes da cidade novas possibilidades de emprego e esperanças de mudança. Em contrapartida, para as famílias estrangeiras, há o contato com o novo, o aprendizado sobre as diferenças culturais que ocorre, principalmente, no contato com os empregados da casa. É com eles e a partir deles que compreendemos o que é ser africano e podemos transformar realidades, mesmo que sejam de uma ou duas famílias.

Observo que estas mudanças ocorrem mais efetivamente em lares de famílias brasileiras. Talvez saibamos entender e aceitar melhor as diferenças e, como sabemos que estamos só de passagem, nos esmeramos para transformar a vida dos que estão perto de nós antes que irmos embora.

A história de Dona Fátima e sua patroa ilustram esta troca de experiências humanas. Nos cinco anos que estiveram juntas em Tete, a vida das duas mudou completamente. Dona Fátima aprendeu com sua patroa que não devia mais aturar o marido trazendo outras mulheres para dentro da própria casa, ela entrou com os papéis no governo e conseguiu um terreno para morar com os filhos. A patroa, que chegou casada, se separou. A pessoa que lhe estendeu a mão e cuidou dela nos piores momentos foi Dona Fátima.

Dona Fátima e patroa superaram as separações juntas, a patroa mudou para nova casa, Dona Fátima comprou os tijolos para construir a sua. Patroa arrumou novo emprego, Dona Fátima voltou a estudar. Patroa encontrou novo amor, Dona Fátima também. Patroa incentivava Dona Fátima e esta, além de terminar os estudos, tirou carteira de motorista de caminhão (com seus 1m50cm de altura). Por incentivo da patroa, Dona Fátima começou a ensinar os afazeres domésticos para as mulheres moçambicanas que, acostumadas a trabalhar nas machambas (lavouras), não tinham experiência em limpar, passar ou cozinhar. Dona Fátima se tornou uma professora dos afazeres domésticos e outras moçambicanas conseguiram emprego por causa da ajuda dela.

A patroa ajudou Dona Fátima a conscientizar-se e aprender a viver com o vírus da AIDS. Dona Fátima ensinou a patroa que mesmo no meio das adversidades um sorriso de orelha a orelha pode ‘salvar’ o dia de alguém. A patroa cuidou de Dona Fátima como se cuida de uma mãe. Dona Fátima cuidou da patroa como se cuida de uma filha. Ou seria vice e versa?

Quatro meses depois da volta definitiva da patroa para o Brasil, coube a mim ligar e contar a ela que Dona Fátima faleceu esta madrugada. De fato, depois que a patroa foi embora ela nunca mais conseguiu trabalhar. Na semana seguinte da ida da patroa, a saúde começou a piorar e dia após dia a AIDS vencia a batalha. Parece-me que ela esperava mesma a ida da patroa para se entregar ou  talvez ela mesma tenha sido pega desprevenida pelo avanço da doença. Os cinco anos da amizade de Dona Fátima e a patroa renderam frutos; hoje os três filhos órfãos têm um teto para dormir, o que significa muito na realidade moçambicana. Para a patroa, restam as lembranças e os ensinamentos de superação de Dona Fátima apontando que não há outro caminho a seguir a não ser em frente.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A VENDEDORA DE AMENDOINS (Imagem cedida por Silma Malacrida)

Fotografar é uma arte. É como contar uma história de vida a partir do clique de uma máquina fotográfica. Minha amiga Silma faz isto com perfeição. Ela capta a história e o sentimento das pessoas que fotografa. Vou tentar, a partir das imagens cedidas por ela, contar histórias de Tete e de seus habitantes. Sei que uma imagem vale mais do que mil palavras, mas cada pessoa  faz arte do jeito que consegue, eu só sei  (tentar) fazer através das palavras.

Esta é a uma das meninas mais lindas e mais simpáticas de Tete, a vendedora de amendoins. Lá estamos nós, esperando a ponte abrir e ela surge com seu sorriso inconfundível. A primeira vez que a vi, ela tinha os cabelos cobertos por pequenas contas coloridas e apesar de não gostar de amendoins comprei alguns apenas para vê-la feliz realizando seu trabalho. Quando comentei sobre ela com um dos brasileiros que trabalha em Tete, este respondeu: "Ahhh, a vendedora de amendoins .... sei ... todo mundo na empresa compra os amendoins que ela vende .... só para ver ela sorrir"