quinta-feira, 20 de maio de 2010

MÉDICOS SEM FRONTEIRA EM MOÇAMBIQUE - REVISTA VEJA / MARÇO 2010

VEJA Edição 2154 / 3 de março de 2010/ Medicina


Eles fazem diferença
Naiara Magalhães, de Maputo

Com criatividade, disposição para o trabalho e experiência no atendimento às doenças típicas das regiões pobres, os brasileiros ganham destaque na organização Médicos Sem Fronteiras e viram referência nas missões espalhadas pelo mundo

Com 20 milhões de habitantes, Moçambique, na costa oriental da África Subsaariana, é um dos mais preocupantes focos do vírus HIV em todo o mundo. Nos grandes centros, como a capital, Maputo, ou a cidade de Tete, a aids se faz presente em toda parte. Nas ruas, é raro cruzar com pessoas mais velhas. A expectativa de vida no país é de 47 anos para os homens e de 49 para as mulheres. Ao lado de outras doenças epidêmicas, os outdoors não deixam esquecer: "O que tiveste na tua última relação sexual: amor, sexo ou HIV?". Cartazes sobre cuidados com as crianças não reforçam apenas a importância da vacinação contra as afecções típicas da infância. Num deles, na legenda da fotografia de uma garotinha acompanhada pelos pais, lê-se: "Eu já vou fazer o teste do HIV". Um em cada sete adultos moçambicanos está contaminado – o equivalente a 15% dessa população. Em algumas regiões, como a de Maputo, o índice é de um em quatro habitantes. Para se ter uma ideia do tamanho da tragédia, no Brasil, a taxa de contaminação pelo HIV é de menos de 1%. Até pouco tempo atrás, muitos moçambicanos nunca haviam ouvido falar em aids. Para eles, seus parentes e amigos morriam vítimas de alguma feitiçaria. Ainda hoje é comum que os doentes recorram aos curandeiros na esperança de cura.

Em um país dilacerado pela miséria e por quase trinta anos de guerra encerrada apenas em 1992, a precariedade do acesso aos cuidados básicos de saúde e a falta de informação sobre prevenção e tratamento compõem o cenário ideal para a disseminação do HIV. Metade dos quase 100 000 mortos pela doença todos os anos tem entre 30 e 44 anos – está na plenitude produtiva. O país padece da falta de profissionais qualificados. O número de médicos em Moçambique não ultrapassa os 500. O de curandeiros, entretanto, supera os 70 000. Por isso, a ajuda estrangeira é crucial na luta contra a aids – tanto do ponto de vista financeiro quanto da mão de obra especializada.

A primeira e maior organização humanitária a desenvolver projetos de combate ao HIV em Moçambique foi a Médicos Sem Fronteiras (MSF), em 2001. Prêmio Nobel da Paz de 1999, a MSF foi fundada em 1971, por médicos e jornalistas franceses, e hoje conta com 27 000 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, arquitetos, administradores, economistas e engenheiros. Ela atua em 65 países conflagrados ou em situação de emergência sanitária (veja o mapa). Atualmente, a equipe da MSF em Moçambique é composta de 31 profissionais – sete dos quais brasileiros. Esses médicos e enfermeiras têm um perfil ideal para o trabalho desenvolvido pela instituição, porque ainda lidam por aqui com doenças típicas de países pobres, como tuberculose, malária e leishmaniose visceral. "No Brasil, muitos médicos não apenas estudaram tais moléstias como tiveram a experiência de tratá-las", diz Simone Rocha, diretora executiva da MSF-Brasil. Soma-se a isso o traquejo dos brasileiros para atender as populações mais carentes, de baixo nível educacional. "Eles sabem como transmitir uma mensagem de jeito simples para que o paciente consiga seguir o tratamento", diz o coordenador de um dos projetos da MSF em Moçambique, o enfermeiro inglês Christopher Peskett. Moçambique não é apenas o país com o maior número de brasileiros atuando na MSF, mas é também onde o Brasil faz escola.

Um dos projetos mais bem-sucedidos é o da médica paulista Raquel Yokoda, de 29 anos. O programa desenvolvido pela jovem vem ajudando a mudar um dos cenários mais cruéis da aids em Moçambique – o das crianças portadoras do HIV. Atualmente, 147 000 meninos e meninas de até 14 anos estão contaminados. As crianças entre zero e 4 anos mortas pela aids chegam a inacreditáveis 19% de todos os óbitos registrados pela doença. Com uma ideia extremamente simples, em seis meses Raquel conseguiu reduzir a taxa de mortalidade infantil em 80% no Hospital Dia de Moatize, nos arredores da cidade de Tete, no centro do país. Ela transformou a sala de espera num lugar acolhedor para as crianças – uma espécie de brinquedoteca, decorada com motivos infantis. Com isso, ir ao médico passou a ser uma diversão para meninos e meninas que vivem em estado de miséria. Ajudada por moradores locais, Raquel adaptou histórias e jogos infantis à cultura moçambicana para explicar às crianças que elas são portadoras de uma doença que requer cuidados para toda a vida. Como o idioma oficial, o português, é falado por apenas 40% da população, as cartilhas de Raquel tiveram de ser traduzidas para o dialeto nhungue, característico da região.

Numa das histórias para as crianças de 5 anos, a aids é simbolizada pela mudança da cor do pelo dos leões. Doente, uma leoa vai atrás dos conselhos de um velho hipopótamo. O tratamento prescrito: a água de um mar vermelho, as folhas verdes das árvores e os raios de sol, todos os dias, para sempre. Ela morre, mas recomenda a seu filhote, o simpático leãozinho Bekhi, que siga à risca as orientações do sábio hipopótamo. Ele obedece e consegue crescer forte e feliz. "Os pais têm muita dificuldade para contar a seus filhos que eles são portadores do HIV, e que terão de seguir um tratamento até o fim da vida", diz Alain Kassa, coordenador-geral da missão da MSF em Moçambique. "O projeto de Raquel mudou esse processo, aumentando a participação das crianças no tratamento." As cartilhas da jovem médica servem hoje de referência em todos os países de atuação da MSF. "Nós só conseguimos fazer um bom trabalho quando entendemos e usamos a cultura local para nos aproximar dos pacientes", explica Raquel. Ela voltou para o Brasil no fim de 2007, e agora cabe à historiadora goiana Wânia Correia, de 33 anos, dar continuidade ao projeto.

Uma das grandes inspirações para Raquel foi Laura Lichade, enfermeira moçambicana de 56 anos, com quem trabalhou ao longo de sua estada na África. Durante a guerra civil, enquanto fugia de um tiroteio, Laura pisou no estilhaço de uma mina. Por causa das complicações do ferimento, em 1994, teve o pé esquerdo amputado. Apesar de todas as adversidades, ela se dedica a cuidar de 56 bebês, crianças e adolescentes órfãos. Seis deles vivem na casa de Laura, com paredes de barro e chão de terra batida. Os demais, em um orfanato próximo. Laura fez com que todos fossem testados para o HIV e recebessem o tratamento adequado. Em Moçambique, 1 milhão de crianças não têm mãe. Delas, 400 000 ficaram órfãs por causa da aids. "Costumo dizer às crianças com HIV que os remédios são como as minhas muletas, que me mantêm de pé", conta ela. "Se elas acharem que podem parar o tratamento porque estão se sentindo bem, cairão, como eu caio sem as minhas muletas."

Cerca de 70% dos moçambicanos estão nas áreas rurais. Vivem da agricultura de subsistência nas machambas, como são chamadas as pequenas propriedades agrárias. Os centros de saúde e os hospitais ficam longe e a condução de ida e volta é cara – 200 meticais, o equivalente a 12 reais. Curandeiros, por sua vez, há por toda parte. Um dos rituais mais comuns no caso de doentes graves é a tatuagem. São feitos cortes de meio centímetro de comprimento nos braços e pernas dos pacientes, e uma mistura de raízes trituradas é aplicada sobre os ferimentos. As lâminas são reutilizadas e os potes de ervas compartilhados entre várias pessoas. Ou seja, a tatuagem é fonte de disseminação do HIV.

Somente quando se dão conta de que as ervas e os banhos dos curandeiros não funcionam, os moçambicanos recorrem aos médicos. Algumas pessoas chegam a caminhar 15 quilômetros até o hospital mais próximo, muitas vezes descalças, sob temperaturas impiedosas. Ao circular pela área rural de Tete, no início de uma tarde de verão, tem-se a sensação de que há alguma queimada por perto. Mas não há vegetação em incêndio, apenas o sol que arde sobre a terra batida. Até resolver ir ao hospital, o militar aposentado Kaneti Chavunda, de 67 anos, sofreu durante quase um ano com uma tosse persistente e uma lesão dolorida nos pés e nas pernas – quadro característico do sarcoma de Kaposi, o câncer mais comum entre os soropositivos. De sua casa ao Hospital Provincial de Tete, ele viajou duas horas na boleia de um caminhão. Em 25 minutos, Chavunda recebeu o diagnóstico positivo para o HIV. Não demonstrou angústia nem desespero. Olhar parado, em voz baixa, ele comentou: "Vou fazer o que os médicos mandam". Essa é uma reação comum. Como a maioria das pessoas da zona rural, ele parecia não ter a dimensão da gravidade da notícia que acabara de receber.

Os testes rápidos de HIV e as orientações sobre prevenção e tratamento são conduzidos pelos chamados conselheiros – moradores locais treinados pela equipe da MSF. Dessa forma, os poucos enfermeiros e médicos disponíveis podem se dedicar a atividades de maior exigência técnica. Uma das enfermeiras responsáveis pela formação dos conselheiros é a paulista Eliana Arantes, de 33 anos, há nove meses em Moçambique. Um de seus parceiros de trabalho mais experientes é o local Felisberto Dindas, de 36 anos. Ele lembra com precisão a data em que entrou para a MSF, a fim de trabalhar como segurança: 23 de outubro de 2001. Naquele dia, sua vida mudaria em vários aspectos. A princípio, representava a conquista de um bom emprego. Um ano depois, Dindas foi convidado a se tornar conselheiro. "Eu tenho facilidade para me comunicar e conheço muita gente", diz, com orgulho. Foi também graças ao trabalho na MSF que ele foi diagnosticado como soropositivo. Conselheiros com o perfil de Dindas são sempre bem-vindos. Só quem tem o vírus sabe como é receber a notícia do HIV. Só quem vive em Moçambique conhece as dificuldades de seguir o tratamento. Só quem consegue conviver com a infecção, sem cair doente, é capaz de passar a importância da prevenção e do tratamento.

A precariedade do sistema de saúde em Moçambique é aterradora. Acompanhar um dia de trabalho da enfermeira paranaense Janaína Carmello é recuar meio século na história da medicina. Aos 28 anos, ela é responsável pelo atendimento a grávidas no Centro de Saúde de Domué, na zona rural do distrito de Angónia, no noroeste do país. Sua principal missão é diminuir os riscos da transmissão vertical: a contaminação do bebê por sua mãe. Em suas consultas, não há aparelho de ultrassom ou sonar. A enfermeira tem de trabalhar com a fita métrica e o estetoscópio de Pinard. A fita serve para medir a barriga da mãe e calcular a idade gestacional do feto, já que a maioria das gestantes não tem ideia de quando engravidou. Em geral, elas só procuram assistência médica no sexto mês de gravidez. O estetoscópio, desenvolvido no início do século XIX, que Janaína só conhecia dos livros de história da medicina, é usado para medir os batimentos cardíacos do feto. Janaína encosta a boca do instrumento na barriga da gestante, aproxima o ouvido na outra ponta do estetoscópio e ouve o coraçãozinho na barriga da mãe. Enquanto nos países desenvolvidos uma mãe soropositiva é desaconselhada de amamentar seu bebê, de modo a reduzir o risco de infecção da criança, em Moçambique Janaína recomenda que o aleitamento materno seja feito até os 6 meses. "Aqui, as mães não têm condições mínimas de higiene para preparar o leite artificial, ainda que você o forneça. As crianças ficam com diarreia, perdem peso, adoecem e podem até morrer", diz ela. Ainda assim, quando as mulheres soropositivas seguem o tratamento à risca, a transmissão vertical do HIV é reduzida.

É dessa forma, com pequenas vitórias, que se trava o combate contra a aids em Moçambique. Desde a chegada da MSF, o número diário de novas contaminações caiu de 500 para 440. Pode parecer pouco, mas é uma grande conquista em se tratando de um país da África Subsaariana. E os brasileiros, como Raquel, Wânia, Eliana e Janaína, fazem a diferença em um universo tão esquálido.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

LAGO NIASSA/ LAKE MALAWI

O Malawi é um país longo e estreito praticamente encravado entre Moçambique, Zâmbia e Tanzânia. Um dos seus maiores atrativos turísticos é o Lake Malawi com aproximadamente 600Km de comprimento na fronteira leste do país. O lago é o terceiro maior da África e pode ser visto a olho nu por astronautas em órbita.
Saímos de Tete as 5h30 da matina e seguimos para o Malawi. Após 4 horas de viagem, chegamos a fronteira e enfrentamos o costumeiro abuso que os turistas brancos sofrem em alfândegas africanas. Tudo bem, já estamos nos acostumando. Mais 1 hora e começamos a vislumbrar um cenário realmente surpreendente de montanhas. Mais 1 hora e chegamos ao Cape Maclear, um dos refúgios para turistas.


Encontramos nosso lodge e ficamos ainda mais surpreendidos com a  beleza do local. No dia seguinte, saímos em um barco com nossos guias e nos aventuramos pelo lago fazendo snorkelling e vendo peixes das cores mais variadas. De fato, uma peixão foi o nosso almoço preparado por um dos nossos guias em uma das ilhotas do lago. Tudo bem que ficamos com medo da comida quando vimos as panelas e os pratos, mas abençoamos tudo em nome de Jesus e mandamos ver.... estava uma delícia. Depois do almoço, na volta para o lodge, os guias pararam perto de algumas árvores e começaram a assobiar. Ouvimos uma resposta. Um dos guias jogou um peixe próximo ao barco e do meio da mata surge uma águia aplainando no ar como se estivesse em câmera lenta. Ele pegou o peixe e voltou para a mata. Foi inacreditável, a beleza daquele pássaro. No dia seguinte, andamos de caiaque, nadamos no lago, tivemos até uma bandinha local de crianças cantando pra nós. E o pôr do sol.... lindo!!!!! Foram três dias muito especiais.

CURIOSIDADE: Há uma disputa em relação ao nome do lago. Como pode-se ver no mapa, Moçambique e Tanzânia fazem divisa com Malawi pelo lago e nestas regiões ele é conhecido como Lago Niassa. É claro que todos os países querem ter um pedacinho desta maravilha. Quem não ia querer?

terça-feira, 11 de maio de 2010

'ILHADOS' NO NORTE DE MOÇAMBIQUE


NOTÍCIAS EM 04/05/2010


Avaria nas telecomunicações "parou" centro e norte do país
A avaria da rede de comunicações de fibra óptica que ocorreu há uma semana continua a afectar as regiões centro e norte de Moçambique e a impedir o funcionamento normal das instituições e empresas. Não há comunicações de voz e de dados seguras e já se sente uma enorme perturbação em quase todos os sectores, designadamente bancos.
O cabo de fibra óptica está danificado a cerca de 110 km. de terra e 35 metros de profundidade, entre Vilanculos, na província de Inhambane, e a cidade costeira da Beira.
O corte no cabo, que ainda não foi explicado devidamente como terá ocorrido, paralisou os serviços telefónicos e de internet. Os bancos não conseguem fazer operações. O sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE) está também fora de serviço. Os funcionários do Estado ainda não receberam os seus salários. “Esta situação parou a vida de muita gente. Foi exactamente no momento em que estavam a ser processados os salários que o SISTAFE parou de funcionar. Estamos dependentes do sistema, caso contrário vamos ter que passar fome”, disse à agência noticiosa portuguesa Marcelino Sucutai, funcionário da Migração, de acordo com um despacho da Lusa em Lisboa.
De acordo com o órgão português a avaria atinge também os comerciantes: “As vendas baixaram muito. Estamos quase sem clientes esta semana, porque as pessoas não podem comer sem dinheiro”, explicou José Mateus, sub-gerente do centro social da empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) em Manica. “Nós inclusive ainda não temos salários porque os bancos não podem processar cheques”. Marcelino Luís, vendedor no mercado Josina Machel, em Chimoio, capital da província, disse ainda à Lusa que “a avaria trouxe um grande prejuízo, porque as vendas baixaram tanto esta semana que já não consigo sustentar as cinco pessoas que dependem deste negócio”.
Algumas caixas automáticas (ATM) dos bancos com representação na província de Manica começaram a “ressuscitar” ao fim do dia de sexta-feira mas as dependências não estão a efectuar transacções com cheques devido à avaria. Três equipas de técnicos das províncias de Maputo, Sofala e Manica têm estado a trabalhar em Chimoio, para minimizar o problema, procurando vias alternativas para retomar os serviços básicos. “Estamos ainda a trabalhar, para pelo menos dentro do possível retomarmos os serviços básicos, as ATM, Internet e o SISTAFE. Quanto ao telemóvel pelo menos activar o serviço de SMS enquanto aguardamos o serviço de voz depois da reparação da avaria”, disse à Lusa Jimo Mabanga, director da TDM para a área operacional de Chimoio.
A Mcel só tem estado a ser útil na transmissão de mensagens (sms). A Vodacom, a outra operadora de telefonia móvel existente em Moçambique tem estado a prover o serviço de voz, usando comunicações por satélite como meio alternativo. As TDM, a empresa de telefonia fixa e que opera a fibra óptica, está totalmente fora de serviço nas comunicações com subscritores a norte de Vilankulo.
Refere a Lusa no seu despacho que o funcionamento da rede Vodacom está a gerar oportunismo entre os revendedores, sobretudo informais, dos pacotes iniciais e recargas, que triplicaram de preço, passando dos anteriores cinco meticais (12 cêntimos do Euro) para 15 a 20 meticais (36 a 48 cêntimos do Euro).
As Telecomunicações de Moçambique (TDM) ainda não explicaram o que terá originado a avaria. Há informações segundo as quais o cabo foi cortado por um arrastão de pesca mas especialistas duvidam que seja possível por arrasto rebentar-se um cabo de fibra óptica “plantado”no fundo do mar.
As TDM já anunciaram que não terão possibilidades de repor a normalidade das comunicações antes de quatro semanas. (Redacção / Lusa)
CANALMOZ – 04.05.2010


NOTÍCIA EM 11/05/2010


Reparada fibra óptica da TDM
A FIBRA óptica da TDM, que sofreu um corte no troço entre Vilankulo e Beira, provocando a interrupção nas comunicações de voz, dados e internet, nas zonas Centro e Norte do país, desde 26 de Abril, foi reparada domingo passado, segundo um comunicado daquela empresa ontem recebido na nossa Redacção.
Maputo, Terça-Feira, 11 de Maio de 2010:: Notícias
Com uma previsão inicial para a reparação do dano fixada em quatro semanas, foi possível concluir-se o trabalho em menos tempo, duas semanas, devido ao facto de ter sido localizado um fornecedor de serviços, cujo barco se encontrava a realizar trabalhos de reparação de um outro cabo no Oceano Índico, nas proximidades da costa moçambicana e que se prontificou a realizar a operação no cabo da TDM. Recorde-se que o corte no cabo submarino da fibra óptica localizava-se no alto mar, há 110 quilómetros de Vilankulo e a 35 metros de profundidade. Entretanto, a TDM continua a desenvolver o projecto de redundância da fibra óptica, cujo troço entre Maputo e Beira estará concluído em Julho deste ano, advindo daí uma maior fiabilidade nas comunicações, pela existência de rotas alternativas.

Só tenho algo a declarar.... NINGUÉM MERECE!!!!!!!!!!!!!!!!!! Sem internet, sem celular, sem dinheiro, sem contato com amigos e familiares!!!! Eta...fim do mundo!!!!

sábado, 24 de abril de 2010

NOTÍCIAS DO PAÍS DA COPA

Líder de grupo de extremista morto na África do Sul descarta conflito racial


Publicada em 05/04/2010 às 16h47m
Lancepress


Apesar de declarações nada amistosas de representantes do grupo extremista que era liderado por Eugene Terre'blanche, as ameaças de um conflito étnico na África do Sul foram minimizadas pelo mais importante integrante do 'Movimento de resistência Africâner' (AWB) nesta segunda-feira. Pieter Steyn, uma espécie de general do AWB, afirmou:
- O AWB não vai cometer nenhuma retaliação violenta para vingar a morte de Terre'blanche - declarou.
Eugene Terre'blanche, líder branco de extrema-direita sul-africano, foi morto por dois negros que usaram uma barra de ferro para cometer o crime. O motivo do assassinato foi, segundo a mãe de um dos criminosos, um adolescente de 15 anos, o não pagamento de um serviço feito por eles na fazenda de Terre'blanche ( clique aqui para saber mais ).
Representantes do movimento de resistência liderado por Terre'blanche chegaram a fazer ameaças aos negros, logo após o crime. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, condenou o assassinato e pediu calma aos sul-africanos ( leia mais aqui ). Zuma quer 'harmonia' entre os povos e que ninguém se aproveite do assassinato para incitar o ódio entre raças.

http://oglobo.globo.com/esportes/copa2010/mat/2010/04/05/lider-de-grupo-de-extremista-morto-na-africa-do-sul-descarta-conflito-racial-916248628.asp
 
A notícia acima, vinculada pela globo.com, nos leva a considerar que a África do Sul está preparada para receber a copa sem que os conflitos étnicos causem problemas à segurança do país. Entretanto, conversando com um amigo ontem, ele relatou que conhecidos residentes na África do Sul estão assustados com a repercussão do assassinato do ex-líder da AWB e que a população está apreensiva.
Espero que não haja nenhum confronto durante os jogos, mas convenhamos, a Copa seria um momento propício para qualquer grupo que quer 'ser reconhecido' mundialmente armar uma situação de exposição. Tomara que a segurança da FIFA esteja preparada.
Queria muito assistir ao jogo BRASIL x PORTUGAL em Durban no dia 25 de junho. Mas acho que não vai dar. Além dos preços exorbitantes dos ingressos, teríamos que ir a Maputo e seguir para Durban. Passagens aéreas estão caras, os aeroportos estarão lotados, não há mais hotéis disponíveis em Durban. De ônibus, seriam 12 horas de Maputo para Durban considerando a demoradíssima alfândega que deverá estar lotada nos dias que antecedem os jogos.
É acho que não vai dar ... mas a esperança é a última que morre.... quem sabe!

terça-feira, 20 de abril de 2010

PARAÍSO NA TERRA

Paraíso na Terra pode significar coisas muito distintas para pessoas diferentes. Pode ser um momento, um reencontro com um amor antigo, o nascimento de um filho, a descoberta de uma cura. Pode ser uma refeição, com os cinco pratos de uma experiência à francesa, um churrasco com cerveja na beira da piscina, uma tigela de xima comido a mão sob a sombra do baobá. Pode ser uma bolsa de estudos, uma proposta de emprego, uma noite de sexo ardente, um tratamento médico eficaz, uma massagem indiana, uma carona em dia de sol forte. Como disse, o Paraíso na Terra pode ser tantas coisas, para tanta gente.
Mas se o Paraíso na Terra fosse um lugar, diria que a Ilha de Bazaruto pode ser uma unanimidade por muitos motivos. Talvez pela água cristalina na qual a luz do sol penetra formando uma espécie de rede mágica. Talvez pelos corais onde circulam peixes coloridos. Pela privacidade, pelo silêncio, pela tranquilidade e pela elegância de se andar de pés descalços na areia fina. Talvez seja o Paraíso na Terra por causa do mar que é indescritivelmente belo em seus vários tons de azul e verde e pelos contornos que a areia branca desenha de acordo com as marés.  E o pôr do sol !!!!! O pôr do sol é um espetáculo de cores começando com o amarelo intenso, cercado de laranja e dourado que se transformam em frente dos seus olhos em diferentes tons de azul, rosa, vermelho e roxo. É inacreditavelmente belo.
Estar no Paraíso na Terra é revigorante e nos faz lembrar de quem amamos, de nosso lugar neste planeta, neste universo. Nos faz lembrar de Deus. Todos deveriam ter a chance de experimentar!!!!!!!!!!!!
Estas fotos abaixo foram tiradas por mim em uma máquina fotográfica com  poucos recursos. Não têm photoshop.... e mais.... não fazem jus a beleza do lugar.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

INVICTUS

Todos já ouvimos falar de Nelson Mandela, ex-líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Mandela é um dos principais representantes do movimento anti-apartheid na África do Sul como ativista, sabotador e guerrilheiro.
Considerado um terrorista pelo governo sul-africano na década de 60, passou quase 30 anos na prisão. Sua libertação foi o marco da quebra do movimento separatista e o fez conhecido e premiado mudialmente por ser um guerreiro da liberdade.
O filme INVICTUS  retrata o período em que Nelson Mandela (Morgan Freeman) sai da prisão (1990) e torna-se presidente. Na tentativa de diminuir a segregação racial na África do Sul, Mandela apoia o time de rugby (esporte popularizado pelos brancos sul-africanos) no torneiro mundial que ocorreria naquele país. O time não vinha apresentando resultados satisfatórios durante os campeonatos, mas Mandela manteve seu apoio incondicional ao time agindo em parceria com o capitão, o jogador Francois Pienaar (Matt Damon).
A partir do filme, compreendi melhor o fascínio do mundo por Nelson Mandela. De fato, ele é um grande líder e um grande estrategista que sabe mobilizar as pessoas e a mídia a partir de suas estratégias. Bom, creio que todos os grandes líderes tenham estas habilidades.... até mesmo Hitler era um grande líder... Mas Mandela usou estas habilidades para estabilizar seu país e recuperar a auto-estima daqueles que foram segredados impedindo que estes fizessem o mesmo com seus antigos opositores. Ele pregou a tolerância e a união (como no slogan do time de rugby ONE TEAM, ONE COUNTRY) e foi bem sucedido em sua empreitada, firmando a África do Sul como um país economicamente viável e a caminho do progresso.

INVICTUS é também o título de um curto poema escrito por William Ernest Henley em 1875. Confiram a seguir:
 
INVICTUS
 
Out of the night that covers me, / Do fundo desta noite que persiste
Black as the pit from pole to pole, / A me envolver em breu - eterno e espesso,
I thank whatever gods may be / A qualquer deus - se algum acaso existe,
For my unconquerable soul. / Por mi’alma insubjugável agradeço.

In the fell clutch of circumstance /  Nas garras do destino e seus estragos,
I have not winced nor cried aloud. / Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Under the bludgeonings of chance / Nunca me lamentei - e ainda trago
My head is bloody, but unbowed. / Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Beyond this place of wrath and tears / Além deste oceano de lamúria,
Looms but the Horror of the shade, / Somente o Horror das trevas se divisa
And yet the menace of the years / Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Finds and shall find me unafraid. / Não me amedronta, nem me martiriza.

It matters not how strait the gate, / Por ser estreita a senda - eu não declino,
How charged with punishments the scroll, / Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
I am the master of my fate: / Eu sou dono e senhor de meu destino;
I am the captain of my soul. / Eu sou o capitão de minha alma.

TAVA DEMORANDO!!!!!! NOTÍCIAS DA COPA

Notícia publicada em 5/4/2010 às 15:25  LANCEPRESS!
Conflitos étnicos ameaçam Copa do Mundo
Assassinato de líder extremista pode estourar conflito
Eugene Terre'blanche era um dos principais defensores do apartheid (Crédito: Reuters)

O assassinato de um líder extremista na África do Sul pode estourar um novo conflito étnico no país. Morto por funcionários negros no sábado, Eugene Terre'blanche era um dos principais defensores do apartheid - movimento de segregação racial. Seus seguidores já prometem vingança, mas descartaram, e alertam os estrangeiros que vão ao país durante o Mundial.
Não enviem seus times de futebol para esta terra de assassinos, não façam isso se vocês não tiverem proteção suficiente para eles - avisou Andre Visagie, também extremista, que considerou o fato uma declaração de guerra de negros contra brancos.
De acordo com a polícia, Terre'blanche foi espancado até a morte pelos funcionários por problemas de salários. O partido do extremista promete vingança, enquanto o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pede calma. Ele não quer ver provocações que alimentem o ódio racial no país às portas da Copa.
O líder da ala juvenil do partido no poder, Julius Malema, foi acusado de inflamar os negros com discursos e um cântico entoado na época do apartheid, que dizia "morte ao boer, morte ao fazendeiro". "Boer" é a forma que a população "afrikaner" branca é conhecida.
O partido de Terre'blanche ligou o assassinato ao cântico. Conflitos étnicos não passam de ameaças, mas a tensão racial já é evidente na África do Sul.